domingo, 3 de abril de 2011

    Para Arlone
A saudade dói feito dor de cabeça.
Quando você pensa nela, pinica e martela.
Quando finge que esquece, amansa e adormece.
   (Arlene Oliveira )
Essa noite eu queria sonhar com você.
 Um sonho bonito, daqueles que a gente acorda com dor por dentro por saber-se sonho.
 Nele, você só por saber que eu me sinto mais segura assim, beijava minha testa antes de mais nada. E dizia que me ama, embora não esteja na minha estrada.
 Você prometia estar sempre por perto, e no final, me abraçava bem forte- aquele abraço quente, apertado, que leva a gente pra um outro lugar qualquer- e eu não sentia clima de despedida. A gente se amava, pra que a lembrança mais duradoura fosse a do prazer humano de dividirmos a cama.
 Afinal, eu amo você e o que você me proporciona-ria-va.
Arlene Oliveira

Em cada gesto meu revivo um instante seu, porque com você fui eu. E isso me dói toda vez que bocejo ao acordar ou quando jogo água pra cima no banho.
 Você está em mim, sempre que acordo no meio da noite para beber água, porque eu continuo sendo do mesmo jeito de quando tinha você.
 E sempre que o meu celular toca eu é quem vibro (em vão) achando que poderia ser você.
 Eu não sonho com você, eu vivo você. Os sonhos são demonstrações do inconsciente não é mesmo? Acontece que você está no meu consciente.
 Não acho que haja culpa nessa historia. Talvez nós dois erramos, acertamos ou simplesmente, o fim chegaria de qualquer maneira. Eu vivi os meus caprichos e você tentou se libertar de velhas prisões. Porém, os meus caprichos não me acorrentaram e nem me pediram pra voltar.
 Não pense que a vida acabou.  Nós somos preparados – ou não- pra o fim das coisas.
 Às vezes eu fecho os olhos, escuto uma música e você dói em mim outra vez. Eu sinto você, vindo em minha direção naquela rodoviária de promessas, você segura minha mão, com sua bolsa de trabalho do lado, e eu, perdida que estava me encontro quente no afago da tua mão. E o nosso final de semana, melhor não poderia ser, nós dois, num quarto de hotel, guardando olhares e fabricando lembranças pra mais tarde curtir a dor.
 Sinto como se o tempo não tivesse passado. Eu fui capaz de colocar teu nome na frente do meu,  porque antes de ser eu, me tornei o amor que sentia por você.
 Falei varias vezes ao meu coração que não amaria mais ninguém. Que não me arriscaria outra vez. E que a minha chance do final feliz já tinha passado.
 Mas um dia a gente se pega amando um outro alguém, pra perceber que não se ama uma vez só.

  (Arlene Oliveira)



O meu sonho é dizer eu te amo para alguém, sentindo dores de medo de me arrepender, tremendo de nervoso por estar  perto dele, os olhos brilhando pelo carinho dele, coração acelerado do querer, e, ouvir calmamente, inacreditavelmente “Eu te amo mais, meu amor”, e não sofrer, jamais, por isso.
Arlene Oliveira

Amar você é o que me liberta por dentro.
É essa fome de outro amor assim que me empurra para a vida.
 Saber se há amor outra vez pra mim, uma chance extra, um bônus, uma historia incompleta para eu completar, é isso que me empurra para a beira daquele abismo que nós saltamos para dizermos que a nossa vida é boa.
 Não sei se saltarei outra vez.
 Talvez eu já esteja do outro lado do abismo.
 Saltei por você.
Estou aqui, na verdade, esperando você perceber a minha falta e voltar pra mim.
 Você está em mim e eu não tenho anticorpos suficientes para expulsar você.
Eu não sei se sinto a sua falta sozinha, não sei se eu também te fiz sofrer, a única coisa que eu sei, é que eu ainda sofro por saudades de você.
 O meu problema é não usar o ponto final pros fins.
  (Arlene Oliveira)

"As coisas que eu sei sobre você
 De tudo que eu ainda lembro, o que mais me dói é saber que essa cicatriz resiste ao tempo e que eu vou sempre sorri quando lembrar os seus olhos cansados e o seu fungar de nariz.
 É na minha falta de lucidez ao rever, a cada pensamento, o jeito como você ajeitava os óculos apressado no rosto, e como você pegava em minha coxa (apertando sem olhar) e o fato de você ligar a TV sempre que acordava, a sua falta de romantismo comum e o seu jeito de me agradar com frases feitas- por você-.
 Saber que vou sempre sonhar com mínimos detalhes seus e acordar, desnorteada de vontades, sentido como se estivesse passado a noite com você e participado da sua performance  atrapalhada.
 Eu- ainda que mofe, estrague ou desbote- jamais vou deixar de voltar aqueles dias, em que nós dois, destemidos e de peito aberto, vivemos tudo de melhor que havíamos imaginado.
 E o carinho que havia no seu olhar, quando tímido me chamava de meu amor, era tão real que eu saía do chão.
 É das lembranças que você me deixava sempre que eu sinto mais saudades. Como as suas mãos sem pouso durante o beijo ou o seu jeito de não conseguir tirar a minha roupa.
 Não muito tempo atrás, assim, no meio da madrugada, a minha cabeça estava encostada em seu corpo, e nós tão tranqüilos, como se nada nos fosse tirar a paz.
 Te da sua incerteza e do seu jeito de me fazer entender sem dizer uma palavra, eu insisto em ter saudade.
 Da sua insensibilidade quando não entendia o que eu estava sentindo, da sua frieza nos torpedos, do jeito como me tocava, como me desejava num olhar e da sua sinceridade quando assumiu sua fraqueza e que não dava pra continuar.
 Você me faz falta. A falta de gritos e fotos não me incomodam.
 Você foi a primeira voz que falou ao meu coração e o que dizem sobre você, são só maldades meu amor.
 Eu juro que não há esperança- pelo menos não tanto quanto antes- é só esse desejo de madrugada, e essa ausência de mãos e corpos.
 As pessoas acham que eu ainda amo você.
-E TALVEZ TENHAM RAZÃO-"
  (Arlene Oliveira)
No começo do fim uma dos negra consumia cada parte de mim. Os meus olhos doíam por te ver, os meus ouvidos por te ouvir e o meu coração por te amar- ainda-.
 E o tempo, tão bondoso sempre, foi tirando de mim, aos poucos, cada pequeno sentimento que estava me roubando de mim.
 Primeiro foi o odio, por você ter me deixando, depois da valsa eterna que dançamos juntos, e logo em seguida o desprezo, ou a tentativa. Lutei para ignorar cada lembrança sua, em vão, eu não escolhi(a) esquecer.
 E por fim, a saudade.
 Saudade é o que resta (independente do abandono) quando você ignora as chances de se manter longe, em se tratando de amor, algo que te fez uma marca.
 As marcas não se escondem.
   (Arlene Oliveira)